About me
Sou assim, um perfeito idiota.
Quando não sou tudo, sou nada.
E quando nada, pereço.
Parece-me às vezes que vai dar certo, mas minha euforia e crescente expectativa dissipa tudo o que é ou viria a ser. Porque falo demais.
Porque sou tolo.
Por tantas vezes preso, sou personagem preso aos emaranhados fios de meus próprios pensamentos... Queria ser eu, em essência, cuidando do jardim e admirando as borboletas. Que voam, que dançam, que se vão...
Se minha ansiedade não... fosse tão parte de mim.
Se meus desejos não fossem, tão desesperados.
Se meus sonhos não fossem tão. Sonhados, poderia viver em paz.
Quem sabe um dia. Que eu sentir as placas tectônicas se moverem, o som das geleiras descongelando e o mundo se acabando, talvez morra mais lentamente...
Vivendo momentos de um amanhã incerto, certamente perderei meus pés.
Que já foram troféus.
Minhas mãos já não tocam minhas angustias, avivando em Sol maior.
Minhas juntas já não respondem como o guerreiro que outrora fui.
Estou tornando o que mais temo.
Homem, assalariado. Descontente do acordar.
Do locomover, do relaciona, do amar.
Que sobra nessa vida?
Sobra tudo que matéria.
Matéria do que tudo é feito.
Matéria palpável.
Matéria de ver.
Mas nessa matéria...
Repeti.
<$Davi Maroto$> [12:00 AM]
Planos e metas.
Típico conjunto de palavras de um mundo atual e em desenvolvimento.
Mas isso tudo é assim desde o início.
Quando Deus, o todo poderoso criou o mundo, tinha planos e metas.
Sem dúvidas é necessário para que algo de fato seja construído.
E logo eu... Que jamais quis me prender a planos, planejo planejar alguns deles.
Trabalho, auto-realização. Amor.
Saúde, moradia, obras.
Que seria de um pintor, de um pedreiro, de um demolidor sem um plano traçado?
Não digo planos infalíveis, como os do Cebolinha, mas planos de curto prazo, onde traço algo em vista.
Vista.
Não tinha me planejado, mas... Preciso ir ao oculista, dermatologista, ginecologista, acupunturista, massagista e analista...
Talvez se tivesse me programado melhor não teria que remediar.
O homem voa graças aos planos de Santos Dumont... Santo homem, do aero... Plano.
Planos de governo, planícies e planalto central.
Planejo uma maneira de não ter planos.
Que seria dos mapas de tesouros?
Que seria dessa minha viagem?
Que seria?
Se... ia?
See...
Óbvio
ób.vio
adj 1 obvious, plain, evident, unmistakable. 2 manifest, not to be doubted. 3 visible, patent, clear.

<$Davi Maroto$> [8:29 PM]
Após muito tempo de transições, viagens e viagens e imagens, fiz as pazes com Deus.
Ainda mais.
Fiz um acordo com ele...
Me seguraria para que ele me mandasse um bem.
Bem. A princípio um bom trabalho, boas expectativas e um bem querer. Menina dos olhos.
Não entendo muito de "os segredos", leis causais nem destino, mas sei oque hoje vem afetando meu espirito.
Oque mais me encafifa é:
Oque determina o amor? A paixão?
Será que temos aquilo e depositamos em algo, ou algo vem e "atrai"
aquilo que temos?
Só sei que algo em mim despejou-se e está saindo por meus poros.
Não sei se acredito em destino, muito menos em coincidências.
Mas se alguém sabe oque está havendo, haverá de me dar razão. e muita força. Pois sabe que preciso.
Por que sou frágil, porque sou volúvel. Porque sou de carne e osso...
Porque sou coração também.
Mas vou seguir e me atirar nisso, que meu coração clama pelo mergulho.
Não vejo nada além de meu metro cúbico, além de um passo...
Mas com 4 pés, sei que posso andar além do arco-íris.
porque meus 2, já se cansaram...
Porque meus jois, já não se entendem.
Porque meus 2, não chegam a 3...
Matemático, lógico.
Assumo meu condão.
Truco!!!!!
E arrisco tudo hoje.
Só por hoje...
Amanhã, quem sabe?
Destino que nos aguarda...
"Previously on lost..."
Passado.
CARPE DIEM!!!!
<$Davi Maroto$> [8:46 PM]
Hélices vértices circundam o parágrafo.
Canais
Cataclismas ancestrais ocilantes da magnitude de outro em pó.
Cheira a mofo, cora a ferrugem do fogo de outrora.
Cai em si e ri, vendo o siri andando em ré. Maior. Sustenido.
De repente. Um gato entra na cozinha. Com uma mancha ruiva de seus ancestrais nórdicos.
Chamei-o de Thor o gato torpe.
Então batizado. Ele se foi.
Laranja podre é a mecânica em desuso. Se voa, só na Holanda, por que a da quitanda é uma facada. De três gumes, e pequenos gomos.
E que cor é essa? Essa mesma!!!! Aquela cor de lesma salgada.
Laranja? Eu? Me poupe!!!!!
Nem sou engomado.
Jirimum, que gira imundo, travestindo o Halloween.
Que me diz, Charlie Brown?
- Gostosuras ou travessuras?!?!?
<$Davi Maroto$> [10:04 AM]

<$Davi Maroto$> [3:29 PM]
UM DIA SENSACIONAL
Ai, ai..
Hoje, após tantos desvarios e trabalhos oriundo do mês das crianças, fui ao meu sensacional analista.
Depois de um breve e longo papo (contraditório, não?), fui pra av. Paulista caminhar.
Como o de praxe, peguei o “Ana Rosa” e fui observando o caminho. Após uma rodada, adentrei no Prédio do SESC, onde estava instalado o 16°Festival Internacional de arte eletrônica SESC-_videoBrasil.
Uau!!!!
Fui de curioso e entrei glorioso, vestido de mim, apenas eu, deparando-me com um aparato de modernidades fantásticas, abrangendo artes áudio-visuais e instalações prá lá de futuristas.
Mas o que mais me chamou mais atenção, foi a obra de um andar inteiro, destinada à um autor chamado Peter Greenaway.
Que criou um personagem chamado “Tulse Luper”. Um sujeito que nasceu em 1911 no País de Gales e recontou tudo que passou-se pelo séc. 20.
Desde seu nascimento até seu sumiço aos 92 anos de idade. Número curioso esse, já que o autor tinha um certo fascínio com tal n° que representa o elemento Urânio na tabela periódica. Vale a pena conferir. Vai até dia 25 de outubro agora, de 2007.
Bom. Lá em meio às malas de Luper, transitei por sonhos já vividos por mim ou, de uma forma semelhante. Curioso como o homens mais... humanos, sei lá, se parecem...
Parece que eu tinha de estar lá, ver tudo aquilo e mais.
Me apaixonar por sua vida, suas obras e principalmente... Sua amante.
Em meio às palavras repetidas de: suspect, suspect... De iluminada e envelhecida cadeira avistei num susto, a figura delicada e imortal.
Estava lá.
A adormecida dama de “Suitcase”.
A amada e imortal musa de Tulse Luper.
O susto foi a visão de uma mala aberta,de forro vermelho sangue, onde uma jovem moça dormia.
Ah. Que visão.
Bom... Depois de rodear a atriz/personagem/amante da obra, pedi a permissão para vasculhar seu diário. Obra viva da atriz que aviva a obra em aberto do mais novo objeto de estudo desse que vos fala.
Sei que me apaixonei por completo. Pela mostra, pelo prédio, que tem um café ótimo e barato na cobertura do 15° andar da Paulista, pelos artistas e obras que mesclei num sincronismo interpretativo de danças primitivas e causa de estranhamento dos passantes(resumindo: Fiquei com o fone de uma obra, dançando, saracoteando, jogando com as obras vizinhas... Uma miscelênea...)
E finalmente pelo personagem criado por esse autor que colocou a tal atriz para ser a amante e eu me apaixonar pela figura amante do personagem do autor que ... Ah. Isso tudo...
Bom... Entre todas as sincronias, semáforos que se abrem na hora certa, pessoas que trafegam perfeitamente, o Sol, o vento, as luzes, posso dizer que... Sim. Foi um dia perfeito.
Ah. Sim... Acredito em perfeição, agora só falta acreditar em dia após o outro... Ah, nada como um dia após o outro.
De resto.
Blecaute
<$Davi Maroto$> [11:29 PM]
DIVAGANDO POR ENTRE VÃOS.
Atravessando o deserto de ataques mundanos, reconheci-me no reflexo das areias escaldantes.
Uma miragem?
Talvez.
Onde estará o próximo oásis?
Será que caminho para qual direção?
De manhã tenho o Sol a me guiar. Mas nesses dias nublados fica difícil de se encontrar.
Minha bússola perdeu o toque. Gira, gira sem direção. Meu buço, como antenas táteis no escuro gatuno, busca abrigo num nervoso ronronar.
Onde vou parar assim?
Como parar assim?
Errem-me, setas desvairadas de absurdas calúnias e depreciações. Suas penas não podem abrigar minha solidão.
Penas de galinha não são para voar. Mas ainda agasalham pintos.
O galo não pára de cantar.
Canta pra quem, criatura. Pra si.
Pra lá. Lá maior.
Enquanto aqui, num rouco sustenido, grito surdamente.
Pra dentro de mim.
Quando eis que surge uma nuvem. Cristalizando sonhos, rejuvenesce-me no que sou.
Sou águia, a voar sobre criptas de gentes tristes. Sou alado, aliado a meus amigos para que não caiamos no pântano das criaturas sobreviventes. Que de tão crentes de seus anseios, excluem-nos, maioria. Para sozinhos, se salvar.
São gentes, santos, saias, surdos, e tamborins que ensaiam seu solo em plena evolução da bateria.
Bem estabelecida no fosso, a orquestra afina seus instrumentos num acorde uníssono, e catastroficamente grave.
<$Davi Maroto$> [3:52 PM]
Equilibrando-se, atacado por paus e pedras sabe-se lá de onde, o sujeito vai. Hesitando responder se o guarda-chuva é paro seu maior equilíbrio, ou prevenido por uma possível chuva. Suas galochas sujas ainda levam resquícios de suas jornadas mundo afora. No seu rosto marcas de tombos e quedas, de fracassos e perdas de equilíbrio em pleno trapézio.
Pelo seu bolso sai um jornal, que não se sabe se é de hoje ou do século passado, embora tenha fotos de crianças. Seus olhos assustados, ainda visam atentamente tudo que se passa ao redor.
Ao redor, olhos ansiosos contemplam o desespero do protagonista. Querem ver o leão devorá-lo. Pagaram pra isso.
Ah. Não se faz mais públicos como antigamente.
Muito antigamente.
Passando toda a sua vida diante de seus olhos, o desajeitado homem de fios de navalha pensa como cresceu sua barba, seu bigode.
Pensa como todos seus parentes, amigos e animais se foram.
Porque sua plantinha morreu.
Nesse exato momento, lembra-se de tudo. Sua infância, suas vigílias, seus medos, seus momentos.
Então o incerto e humano ser indaga algo e cai.
Cai e acorda.
O que ele indagou? Não importa
Nem tudo são flores.
E ainda que fosse, nem todos a admiram e contemplam.
As cores... Nem todo mundo vê.
Árvores, nem sempre cresce-se como tais.
Pedras.
Frias e duras pedras, que já lotam os cenários e poltronas desse derradeiro picadeiro principal.
Pedras e paus.
Paus, ouros, espadas e copas cheias de coxinhas, esfihas e coffeebreaks.
O que ele perguntou em seu momento máximo, uno?
Depende.
Depende de quem pergunta.
<$Davi Maroto$> [5:44 PM]
Pés.
Mas que coisa esquisita são os pés.
Essa parte sinuosa de nossos corpos que ficam tão lá embaixo...
Que tem dedos, calos, joanetes e que nos causam tanto desagrados.
Mas vou te falar uma coisa sobre os pés.
Passamos os dias inteiros sobre eles, que como nuvens, nos carregam por aí. Que nos direcionam antes mesmo de sairmos.
Que sente o chão.
Pés no chão. Paixão de solo e gravidade de tropeção.
Os pés dançam, driblam, chutam, sambam.
E ainda assim, deles nos esquecemos.
Registro aqui, então, meu amor aos pés.
Pés sofridos, apertados no sapatos, sacrificados pelos saltos e pontas de pés de bailarinas.
Pés-de-moleque, pés-de-cabra, pés de laranja-lima.
Pedem eles um momento ao mundo, para que nós o glorifiquemos como maravilha da anatomia de nossos corpos perfeitos.
Nossos tão companheiros pés.
<$Davi Maroto$> [2:44 AM]
Há quanto tempo já não me encontro comigo. Amigo velho.Amigo bom de longas reflexões, extra-meta-esse caos que se instaura.
Saudade, parte de mim que é bela. Que ama sem fim.
Quando nos perdemos de nós mesmos? Que conspiração, aspiração, piração, esse mundo nos prepara, nos impõe?
Será só ironia, acumulo de coincidências ou acasos?
Caso for, estarei preparado. E, muito embora esteja ferido, machucado de tanto desamor e futilidades contra, minha sina é fazer valer cada momento, e torna-lo infinito.
Sim. Preciso de remunerados, burocráticos e assalariados trabalhos. Ta na regra.
Mas como desanima esse turbulento manifesto pelos vis cifrões...
Ah, como desanima esse turbulento manifesto pelos vis cifrões...
<$Davi Maroto$> [2:21 AM]
Bandolins
(Oswaldo Montenegro)
Como fosse um par que nessa valsa triste se desenvolvesse
ao som dos bandolins e como não
E por que não dizer
que o mundo respirava mais se ela apertava assim seu colo
e como se não fosse um tempo
em que já fosse impróprio se dançar assim
ela teimou e enfrentou o mundo se rodopiando ao som dos bandolins
Como fosse um lar seu corpo a valsa triste
iluminava e a noite caminhava assim
e como um par o vento e a madrugada iluminavam a fada do meu botequim
valsando como valsa uma criança que entra na roda a noite tá no fim,
e ela valsando só na madrugada
se julgando amada ao som dos bandolins
<$Davi Maroto$> [8:38 AM]
"Se ao "Cacaso me quiseres"...
Poeta fantástico que rega sempre saraus de amigos noite afora.
Deixo aqui minha pequena homenagem ao poeta e toda a poesia que tenta no mundo se erguer entre
as colunas e vigas da cidade suja do pântano da humanidade.
Cacaso
"A maior pena que eu tenho,
punhal de prata,
não é de me ver morrendo,
mas de saber quem me mata."
(Cecília Meireles)
Descartes
(Cacaso)
Não há
no mundo nada
mais bem
distribuído do que a
razão: até quem não tem tem
um pouquinho
Lar doce lar
(para Maurício Maestro)
Minha pátria é minha infância:
por isso vivo no exílio
Face a Face
Cacaso
São as trapaças da sorte, são as graças da paixão
Pra se combinar comigo tem que ter opinião
São as desgraças da sorte, são as traças da paixão
Quem quiser casar comigo tem que ter bom coração
Morena quando repenso o nosso sonho fagueiro
O céu estava tão denso, o inverno tão passageiro
Uma certeza me nasce, e abole todo o meu zelo
Quando me vi face a face fitava o meu pesadelo
Estava cego o apelo, estava solto o impasse
Sofrendo nosso desvelo, perdendo no desenlace
No rolo feito um novelo, até o fim do degelo
Até que a morte me abrace
São as desgraças da sorte, são as traças da paixão
Quem quiser casar comigo tem que ter bom coração
São as trapaças da sorte, são as graças da paixão
Pra se combinar comigo tem que ter opinião
Morena quando relembro aquele céu escarlate
Mal começava dezembro, já ia longe o combate
Uma lambada me bole, uma certeza me abate
A dor querendo que eu morra, o amor querendo que eu mate
Estava solta a cachorra que mete o dente e não late
No meio daquela zorra, perdendo no desempate
Girando feito piorra, até que a mágoa escorra
Até que a raiva desate
São as trapaças da sorte, são as graças da paixão
Pra se combinar comigo tem que ter opinião
São as desgraças da sorte, são as traças da paixão
Quem quiser casar comigo tem que ter bom coração
<$Davi Maroto$> [3:13 PM]
Gentes
Uma mulher
Duas mulheres
Três mulheres
Quatro? Ou um homem?
Ceerto, um homem.
Eu mesmo. Mesmo menino.
Outro homem?
Ah. Ai seria trabalho demais.
Que o próximo se crie. Criança sim, creio.
Mas de homem... Basta meu pai.
<$Davi Maroto$> [9:12 AM]
E eis que quando todos já não esperavam mais nada... Volta à ativa este blog que vos fala.
Qto ao humilde autor, vai levando uma vida tranqüila e sem muitas aventuras, por isso vem à tona as aventuras de um mundo fabuloso e cheio de mistério, onde tudo e todos se encontram.
Contos, poesias, histórias e outras passagens que narram o dia-a-dia deste maroto e desconjuntado rapaz de estatura mediana, latino americano sem dinheiro no banco e com tanta coisa a contar. Mesmo sem ter um assunto em pauta ou uma idéia concretista, objetiva-singular. Vagueando pela superfície das matérias, elaborando algo à mais que a simples idéia de reduzir tudo à um átomo. E ainda sendo atômico, atonitante e supersônico.
Uma casa.
Para construir um sonho precisamos de quê?
De uma casinha de tijolos. Dourados.
Não... Cor de tijolinhos de barro. Num terreno de grama, flores na jardineira. Pintada de azul. Da cor do céu. Ou do mar.
Um caminho de pedras, pra não sujar a casa.
Uma caixinha de correio, pra receber as cartas de amigos.
Uma lagoazinha ao lado, de onde se pode ver os peixes sob a água límpida onde os patos fazem suas estrepulias entre as Vitórias-Régias regadas a sapos, rãs e pererecas.
Então a lagoa é grande, como todo sonho deve ser.
Mas voltando à casinha.
Portas e batente de madeira regional do mundo dos sonhos mesmo. É mais barato...
Brisa esvoaçando os enfeites artesanais feitos por entes queridos e samambaias cabeludas.
Um regador (adoro regadores). E um rastelo, para trabalhos de manutenção.
Uma plaquinha de bem-vindo, a você. Afinal. É muito bem vindo a este sonho.
Dia ou noite. De dia, Sol radiante, com nuvens com formatos de doçuras
E de noite: Dim, dim, dim, raio de Lua...
Agora só falta alguém...
Quem será?
<$Davi Maroto$> [9:09 AM]
As pedras vão rolar!!! Copacabana, aqui vou eu!!! (espero...)
You Can't Always Get What You Want (tradução)
(The Rolling Stones)
Você não pode ter sempre o que quer
Eu a vi hoje em uma recepção
Uma taça de vinho em sua mão
Eu soube que ela encontraria sua conexão
Aos seus pés estava seu homem livre
Não, você não pode ter sempre o que quer
Você não pode ter sempre o que quer
Você não pode ter sempre o que quer
E se você tentar, algum dia você encontra
Você encontra o que precisa
Eu a vi hoje em uma recepção
Uma taça de vinho em sua mão
Eu soube que ela estava indo encontrar sua conexão
Aos seus pés estava seu homem livre
Você não pode ter sempre o que quer
Você não pode ter sempre o que quer
Você não pode ter sempre o que quer
Mas se você tentar algumas vezes você pode encontrar
Você encontra o que precisa
Oh! sim, hei hei hei oh...
Eu afundei até a prova
Para levar minha justa parte de injúrias
Cantando, "Nós iremos aliviar nossa frustração
Se não aliviarmos, iremos queimar um fusível de 50amp"
Cante para mim agora...
Você não pode ter sempre o que quer
Você não pode ter sempre o que quer
Você não pode ter sempre o que quer
Mas se você tentar algumas vezes você pode encontrar
Você encontra o que precisa
Oh baby, sim, sim...
Fui até a farmácia Chelsea
Para pegar sua receita
Eu estava de pé na fila com o Sr. Jimmy
E nossa! , ele parecia bastante doente
Nós decidimos que tomaríamos uma "gasosa"
Meu sabor preferido, cereja vermelha
Eu cantei minha canção para o Sr. Jimmy
Sim, e ele disse uma palavra para mim, e a palavra foi "morto"
Eu disse a ele
Você não pode ter sempre o que quer, não!
Você não pode ter sempre o que quer (diga baby)
Você não pode ter sempre o que quer (não)
Mas se você tentar algumas vezes você pode encontrar
Você encontra o que precisa
Oh sim!
Você consegue o que precisa-sim, oh baby!
Oh sim!
Eu a vi hoje em uma recepção
Em sua taça estava um homem sangrando
Ela era profissional na arte da decepção
Bem, eu pude falar para suas mãos sujas de sangue
Você não pode ter sempre o que quer
Você não pode ter sempre o que quer
Você não pode ter sempre o que quer
Mas se você tentar algumas vezes você quase pode encontrar
Você quase pode encontrar
Você encontra o que precisa
<$Davi Maroto$> [11:06 AM]
LOUCURAS DE SEGUNDO ANDAR.
Certo dia havia um homem que buscando pela essência máxima do raciocínio primitivo de instintos, notou um extinto e sucinto modo de vê-lo. Dentro de si próprio.
Nesse instante ficou cara-a-cara com o bicho.
Tentou então falar.
Mas não adiantou. A troca era vã.
Resolveu cortejá-lo. Deu-lhe um dicionário.
O barbudo ser idealizado fazedor de grunhidos pegou, olhou, folheou o livro e sorriu.
O homem se sentiu realizado e encheu o peito. Nesse momento recebeu na cabeça. O livro.
A estranha figura riu.
Então, lembrando-se que além de não saber hablar, concluiu que o bicho não sabia ler. Então se pôs a gargalhar.
Nesse mesmo instante veio de um canto escuro, uma outra imagem. Era meio robô, meio ciborgue. Olhou para os dois e se pôs a chorar.
<$Davi Maroto$> [9:06 PM]
Sinal Fechado
(Composição: Paulinho da Viola)
Olá, como vai?
Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranqüilo, quem sabe ...
Quanto tempo... pois, é...
Quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe?
Quanto tempo... pois, é... (pois é... quanto tempo...)
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal ...
Eu espero você
Vai abrir...
Por favor, não esqueça,
Adeus...
Até o fim
<$Davi Maroto$> [2:40 AM]
La cucaracha...
La cucaracha...
Tome cuidado com a sandália de borracha...
<$Davi Maroto$> [12:25 AM]
Ah. Vai se foder!!!
Quer o quê de mim?
Sou inocente, cê não sente?
Não tô limpo, tô num limbo.
Lindo.
Indo.
Ah!!!Vai tomar no cú!!!
Nunca fui "Ubú".
Muito menos Rei.
Errei, não minto. Mas jamais acolherei seu intento.
Vejo maldade ao longe...
E você não é monge que eu sei.
Muito embora embriagado pelo ponche, posso perceber.
Ponderando-me em versos tangentes, mudei.
Não uma arriscada verbal do mudo, Mas insisto até você se submeter.
Ceder.
Opa!!!
Mudei.
Mudei, novamente.
Do verbo mudar. Até mesmo antes de você se ligar.
Seu hálito, sua tez., sua palma, sua calma.
Diria que até que depende de mim, sua alma.
Depende.
Não de mim.
Mas por mim, calma alma.
De repente.
Por mim.
Ah...
Palmas, almas calmas.
Ah!!! Vai se foder!!!
<$Davi Maroto$> [6:18 AM]
Hoje o poeta tosco sentou em sua cadeira de jardim de cerejeiras e constatou sua impregnação do tempo, carcomido pelos cupins.
Hoje o poeta tosco decidiu jogar a cadeira velha fora. E lembrou-se de que quando se sentou estava muito cansado. Cansado de toda as lutas, batalhas e intrigas as quais participou.
Hoje, avidamente o jovem poeta se levantou e começou a andar. Para amanhã.
Choro Bandido
Chico Buarque
Composição: Edu Lobo / Chico Buarque
Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim
Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim
Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons
<$Davi Maroto$> [5:55 PM]
Ho Ho Ho...
Natal é bom
Prá quem acredita em Papai Noel.
Põe crianças no colo e banca o papel.
Divide a ceia que é incerta e santa.
E tem um calor que espanta
Natal é bom
Eu sempre reflito.
Penso na vida, na família, nos amigos.
E no caminho tortuoso em que viemos e que ainda tanto há a percorrer.
Caminho.
Vida, família, amigos.
Reflito...
Natal é bom.
Que crescam os pinheiros E Saúde à tradição que perpetua nos corações dos que realmente crêem.
SalvadorDali
<$Davi Maroto$> [3:14 AM]
Ide a Mim Dada
(Raul Seixas)
Ide a mim, Dada
Vinde a mim, neném
Bate uma, xará
Que eu quero outra também
Ide a mim, Dada
Vinde a mim, neném
Bate uma, xará
Que eu quero outra também
É que eu tô trazendo
A novidade total
Foi feito pra nós
Para o povo em geral
Quem dança comigo a dança do Ide a mim
Vai se viciar, não vai querer mais sair
Ide a mim, Dada
Vinde a mim, neném
Bate uma, xará
Que eu quero outra também
Ide a mim, Dada
Vinde a mim, neném
Bate uma, xará
Que eu quero outra também
Ide a mim, Dada
Vinde a mim, neném
Bate uma, xará
Que eu quero outra também
Nem de vitória,
Nem de derrota eu falei
Tudo o que eu quero é ouvir o povo a cantar
Pra consciência é que eu não posso mentir
Pois meu travesseiro não me deixa dormir
I might go my way
I might go my way
I might go my way
I might go my way
I might go my way
I might go my way
I might go my way
I might go my way
Ide a mim, Dada
Vinde a mim, neném
Bate uma, xará
Que eu quero outra também
Ide a mim, Dada
Vinde a mim, neném
Bate uma, xará
Que eu quero outra também
<$Davi Maroto$> [12:14 AM]
SOCORRO
(Arnaldo Antunes)
Socorro, nao estou sentindo
Nada
Nem medo, nem calor, nem fogo,
Nao vai dar mais pra chorar
Nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo
Que penada,
Me empreste suas penas
Ja nao sinto amor nem dor,
Ja nao sinto nada
Socorro, alguem me de um
Coracao,
Que esse ja nao bate nem apanha
Por favor, uma emocao pequena,
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta,
Tem tantos sentimentos, deve ter
Algum que sirva
Socorro, alguma rua que me
De sentido,
Em qualquer cruzamento,
Acostamento,
Encruzilhada,
Socorro, eu ja nao sinto nada
Socorro, nao estou sentindo
Nada
Nem medo, nem calor, nem fogo,
Nem vontade de chorar
Nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo
Que penada,
Me empreste suas penas
Ja nao sinto amor nem dor,
Ja nao sinto nada
Socorro, alguem me de um
Coracao,
Que esse ja nao bate nem apanha,
Por favor, uma emocao pequena,
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta,
Tem tantos sentimentos , deve ter
Algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta,
Tem tantos sentimentos, deve ter
Algum que sirva
<$Davi Maroto$> [2:55 PM]
Tudo muda tão depressa. Astrológicamente seu destino muda a cada quatro minutos.
Pelos números um minuto muda... A cada 60 segs.?
Mas mudando de assunto.
Está um dia lindo!!! Vou lá fora pegar mamão. Tem manga, pitanga, chocolate.
-Chocolate?
-Choco é o nome do cachorro.
Xiii...
Vejam!!! Árvorezinhas.










<$Davi Maroto$> [4:04 PM]
Pelas costas
Vejo muitas coisas.
Pessoas e situações.
Confesso que muitas vezes me a cânhamo.
Constantemente presencio saias justas e calças curtas.
Vacas campeãs, brejeiras e gripadas.
Touros e bois.
Peões e manilhas.
Ensaiando tropeços, debruço-me sobre todos os abismos.
Eia!!!
Vamos lá. Queima a palha e o tronco, mas permanecem as raízes.
Rezemos para que estejam prontas para a poda.
Realizando a obra da colheita e do plantio. Que vezes e outrora foram empestadas pelas pragas e tempestuosas turbulências.
Oremos pelos oblíquos singelos momentos.
E pelo antiquado e incrédulo fomento.
<$Davi Maroto$> [2:38 AM]
Muito calor. Muita chuva. Isso abala as estruturas...
Como são as coisas, não? Há épocas em que lamentamos ter tempo livre, não estar fazendo nada, não ter compromissos e tudo mais. Curioso é que tem as épocas que lamentamos exatamente o oposto.
Momentos em que pensamos isso sobre aquilo e depois mudamos de idéia sem nenhuma grande reflexão.Eis então a grande reflexão. O que nos faz mudar de idéia? O que é cogitado num setting?
Técnica?
Feeling?
Cores, sons e mágica?
Dinheiro, poder e lógicas?
Libras pesam mais que chumbo?
Dólares mais que prata?
Amor mais que mágoa?
Sei que ... Continuo a aprender. E que nada sei.
Perdão Você
(Marisa Monte)
l
Cores imagens
Cores imagens
Cores imagens
Cores
Originais
As flores
Demais
As cores
E mais amores
Não me ensina a morrer
Que eu não quero
Há diferença abstinente
No prosseguir da gente
Sei que a tendência
Anda nas frestas
No decidir da mente
É como se perder de deus
E eu não quero
Eu não quero perder
Eu não quero te perder
Perdão você

<$Davi Maroto$> [2:43 AM]
Pequena observação a um texto anterior:
Ainda bem que levei meu guarda chuva. E casaquinho e mochilão.
Foram-me muito úteis atualmente.
Pois é. As coisas finalmente parecem começar a se transpor em uma aparência particularmente agradável.
Nem tudo são flores.
Por isso as aparências são podres.
Viva a vida.
Viva as flores.
Viva todos os jardins, por pior que possam parecer.
Sempre estarão prontos.
Para semear.
<$Davi Maroto$> [2:36 AM]
Quantas são as possibilidades de um homem. Ou de um caminho.
Tribunal De Causas Realmente Pequenas
(Pato Fu)
Composição: John/Fernanda Takai
Você pensa que faz o que quer
Não faz
E que quer fazer o que faz
Não quer
Tá pensando que DEUS vais ajudar
Não vai
Que que há males que vêm para o bem
Não vêm
Você acha que ela há de voltar
Não há
Que que ao menos alguém vais escapar
Ninguém
Paro pra pensar
Mas não penso mais
De um minuto
Sem pensar em alguém
Que não pára pra pensar em ninguém
Você acha que eu tenho demais
Robei
Você acha que eu sou capaz
Matei
<$Davi Maroto$> [1:19 AM]
Hoje não tem música. Não tem poesia, nem fotos, nem cigarros, nem piadas, nem lamentações.
Hoje tenho que me lembrar quem sou. Quem somos. Onde estive. Oque fiz. Oque espero de vc, do mundo e de mim.
E oque espero.
Godot, garfo, gorfo?
Cais, caos, ilha, golfo.
Golfinho, piranha, polvo.
Ou tudo isso, de novo.
Ah, se meus remos virassem asas. E o mar virasse praças, teria meu nariz para animar o povo.
<$Davi Maroto$> [4:34 PM]
Conheci Zeca Baleiro pessoalmente. E ele acendeu o meu cigarro. E me ascendeu.
Me escreveu: "Davi, venceremos o Golias".
Tive uma sorte danada... Por haver umas máquinas por perto.
Cachorro Doido
(Zeca Baleiro)
Essa é a noite do cachorro doido
Fina fera, magro bicho
Olho duro, espessa baba
Latindo pra lua o seu capricho
Essa é a noite do poeta torto
Flor de Lotus na sarjeta
Sem lua, musa ou Deus que o guarde
Pulando a janela do contexto
Só a noite é que sabe que a vida não tem jeito
Que pro escuro de um poema
Qualquer ganido é bom pretexto
Qualquer ganido é bom pretexto
Qualquer ganido é bom.
"Posso perder minha mulher, minha mãe
desde que eu tenha o meu Rock'n'Roll"
(Para ouvir clique aqui pressionando shift)
<$Davi Maroto$> [3:52 AM]
Ouvi o cd do Wandi. O cara do Bem Brasil... Oi, oi, oi...
Do caramba.
Tio de um amigo meu.E colega de faculdade da minha mãe.
Mas não é por isso.
A parada é da boa mesmo.
Fio Da Navalha
by Wandi Doratiotto
Venho levando a vida no fio da navalha
Parece mandinga uma coisa que espalha
Parece que um trem vem bufando por trás de mim
Saio pisando cedo na mesma sandália
Vivendo de bico, consertando calha
Pedindo pra chuva cair sem parar por aí
Nada de devaneio, é um olho por olho
Um dente por dente, a barba de molho
Fingindo inocente pra não desandar, prosseguir
Mas meu amigo eu digo, o que eu não consigo
É me ver caído, é perder a mão, não, não!
Nada que justifique eu ter um chilique
Ficar sem pique ou virar ladrão, eu não!
Pois lá no fundo algo me diz
Que serei feliz, feliz
Pois lá no fundo algo me diz
Que serei feliz, bem feliz!
<$Davi Maroto$> [1:53 AM]
Nada como um dia após o outro. Há dias em que temos sorte no jogo. Outros no amor. Alguns dias nos dois, outros nenhum. Ontem estava preocupadíssimo com o dia de hoje. Hoje estou ansioso e otimista para o dia de amanhã. Às vezes perdemos para ganhar. Às vezes ganhamos e mais. Outras, menos. Pura perda. Mas os dias passam. E isso que nos faz (ou deveria nos fazer) olhar o Sol nascer. Ou se pôr. Semanas, meses. Anos. As árvores crescendo, as flores brotando, as ondas no mar. A nova novela. Gente!
As pedras.
Ai.
Amigos e as situações diversas desde a última conversa, Filmes que vi no dia errado, livros que li na época errada, Coisas que fiz na geração errada. E todas as coisas, que vivemos sem errata. Deixa pra depois.
Deixa pra agora
Deixa pra lá.
Deixa, não.
Não.
Não?
Ã?
Não, sim.
Sim!!!
Sim, mexa.
Mexa pra lá.
Mexa pra cá.
Mexa agora.
Mexa mega, hãn, hãn?
Mexa, mexericando mexilhão no fundo do mar. Suba para respirar, escalar muros, morros, montanhas. Voe, então. E vá o mais alto que puder. Depois vá além. E além. Então volte para descansar os pés na corrente água do rio. Curta os peixes, que fazem cócegas na sola dos pés. Role na grama. Ria da grana e dos afortunados cruéis. Se benza em todas as cruzes que encontrar. Ouça as músicas de todos os lugares. Nos lugares. Suba decidas e desça somente se puder voltar. Entre em contato com os nativos. E com estrangeiros. Depois.
Ah. Sei lá.Depois faz qualquer coisa.
Legal, né?
Pois é.
*doc desnecessário:
Hoje estreei com meu grupo de teatro de rua. Deu tudo muito além do esperado. Depois só notícias boas. Depois o coringão ganhou. Melhor eu me preparar. Vou levar guarda-chuva e casaquinho. Água e vinho. Céu e chão. Salsicha.
Sefilis não é bão. Mas não mata.
Acho que não estou tão dodói ultimamente. E não foi meu terapeuta.
Às vezes esqueço-me de que estou vivo, esqueço-me que tenho uma ferramenta completa. Às vezes esqueço-me de comer, beber, respirar. Às vezes esqueço... Que... o... ...
Que tenho que dormir.

<$Davi Maroto$> [1:12 AM]
Amanhã tem espetáculo!!!
(Música de abertura do grupo SAPPO de teatro de rua.)
Vamos minha gente
Hoje tem apresentação
O grupo SAPPO vai
começar sua função
Sentados ou de pé
Todos vão se acomodar
Veja como é
O SAPPO vai se presentar
Sorrisos, alegria, peripécias na praça
E o "Ó" o que que é?
Outras coisas mais
Venham, venham ver
Pode se sentar
Pode rir
Então participar
<$Davi Maroto$> [1:18 AM]
"E lá se vai mais um dia..."
A garoa cai na noite escura. Somente as luzes dos postes e do bar em frente a minha casa.
A fumaça, produzida por mim, sobe desenhando formas nas nuances da luminosidade.
Que bela cena. Comecei então a refletir sobre a peça da qual fazemos parte. E que individualmente somos protagonistas da parte que nos cabe. Determinando seu tom e sua direção.
Acho que tenho sido radical demais em alguns aspectos. Estou farto dessa tragédia grega. Quero as cores e irreverência das comédias dell'arte. A sinuosidade dos caminhos da arteprépósmodernacontemporânea. Os amores elizabetanos. Ah, os amores elizabetanos.
Desejo ardentemente ter a tranqüilidade de esperar Godot, nos altos e baixos de Gil Vicente. Em tempestades Shakespearianas, dividindo a água com Brecht sem saber se virá o futurismo ou absurdo. Quero ser mais Pam. Ser mais Hamlet. Ser o Max. Nonô.
Ah, não quero virar barata. Nem pó, nem merda.
Sobra esse lirismo dos clows, que me molha à noite meu travesseiro, leito de meus sonhos mais quixotescos.
Quem me dera ao menos uma vez. Uma só vez.
Acordar. A ver que não tinha sido
somente mais um
sonho.
<$Davi Maroto$> [1:01 AM]
Estou muito preocupado.
conflito down em mim
<$Davi Maroto$> [7:34 PM]
Será que vai chover?
Relâmpagos. Trovões. Parece que vem uma tempestade por aí.
De uma cadeira branca de plástico vejo o mundo lá fora. E começo a imaginar nas tantas pessoas que estão lá, debaixo de chuva. Da chuva ácida e torrencial, que nem rega, nem cultiva as plantações. Que eles não têm.
Começa a chover agora aqui. No meu local propriamente.
Está apertando. Lembro-me das muitas chuvas de que corri por aí. E me levaram a lugares dos mais sortidos, seletos, inusitados. Pontos, toldos, lojas, livrarias, pontes e botecos. Conversas, pessoas, ônibus e vidas que serviram de presente pra mim, embora pretérito no momento impreciso, mas datado.
O vento sopra suave, atravessando a casa toda. Batendo como asas as portas remetem aos inimagináveis e possíveis lugares distantes e especulativos de onde, por ventura veio aquele vento. Ou ainda avante. Para onde ele se destina.
Curioso. Parou de chover por ora. Parou o vento.
Talvez só chova mais tarde.
Pode ser que nem chova mais. Mas mesmo assim vou fechar as portas e janelas.
Agora me volto a pensar. Onde foi chover aquela chuva que não era minha. Não posso negar que me sinto um pouco enciumado e com o orgulho ferido da dita cuja para qual fiz tantos planos.
...........................................
Não choveu, não saí, não me molhei. Então dormi. E voltei no dia seguinte para registrar isso. A chuva que não choveu. Mas que intimidou e foi desabar em outro lugar. Os lugares que ela não me levou dessa vez. Não me levou. Não dessa vez. Mas que me surpreenderá em muitas vias. Levarei o guarda chuva. Continuarei a procurar alguém que seque meu cabelo. E me faça um chá. Um cafuné. Massagem no pé. E me acompanhe no momento em que o inóspito mundo sem chuva torna-se um campo florido de flores, magia, sons e sonhos. Boa noite e até amanhã.
Fera Ferida
(Caetano Veloso)
Acabei com tudo
Escapei com vida
Tive as roupas e os sonhos
Rasgados na minha saída
Mas saí ferido
Sufocando meu gemido
Fui o alvo perfeito
Muitas vezes no peito atingido
Animal arisco
Domesticado esquece o risco
Me deixei enganar
E até me levar por você
Eu sei quanta tristeza eu tive
Mas mesmo assim se vive
Morrendo aos poucos por amor
Eu sei, o coração perdoa
Mas não esquece à toa
E eu não me esqueci
Eu andei demais
Não olhei pra trás
Era solto em meus passos
Bicho livre, sem rumo, sem laços
Me senti sozinho
Tropeçando em meu caminho
À procura de abrigo
Uma ajuda, um lugar, um amigo
Animal ferido
Por instinto decidido
Os meus rastros desfiz
Tentativa infeliz de esquecer
Eu sei que flores existiram
Mas que não resistiram
A vendavais constantes
Eu sei que as cicatrizes falam
Mas as palavras calam
O que eu não me esqueci
Não vou mudar
Esse caso não tem solução
Sou fera ferida
No corpo, na alma e no coração
Não vou mudar
Esse caso não tem solução
Sou fera ferida
No corpo, na alma e no coração
Sou fera ferida
No corpo, na alma e no coração
Sou fera ferida
No corpo, na alma e no coração
Para ouvir clique aqui
<$Davi Maroto$> [1:48 AM]
The meditative rose - Salvador Dalí.
Alívio Imediato
(Engenheiros do Hawaii)
o melhor esconderijo
a maior escuridão
já não servem de abrigo
já não dão proteção
a Líbia bombardeada
a libido e o vírus
o poder, o pudor
os lábios e o batom
que a chuva caia
como uma luva
um dilúvio
um delírio
que a chuva traga
alívio imediato
que a noite caia
de repente caia
tão demente
quanto um raio
que a noite traga
alívio imediato
há espaço pra todos
há um imenso vazio
nesse espelho quebrado
por alguém que partiu
a noite cai
de alturas impossíveis
e quebra o silêncio
e parte o coração
há um muro de concreto
entre nossos lábios
há um muro de Berlim
dentro de mim
tudo se divide
todos se separam
duas Alemanhas
duas Coréias
tudo se divide
todos se separam
Para ouvir clique aqui
<$Davi Maroto$> [5:26 PM]
Cigarro
(Zeca Baleiro)
A solidão é meu cigarro
Não sei de nada e não sou de ninguém
Eu entro no meu carro e corro
Corro demais só pra te ver meu bem
Um vinho, um travo amargo e morro
Eu sigo só porque é o que me convém
Minha canção é meu socorro
Se o mar virar sertão, o que é que tem?
Dias vão, dias vem, uns em vão, outros nem...
Quem saberá a cura do meu coração senão eu?
Não creio em santos e poetas
Perguntei tanto e ninguém nunca respondeu
Melhor é dar razão a quem perdoa
Melhor é dar perdão a quem perdeu
O amor é pedra no abismo
A meio passo entre o mal e o bem
Com meus botões a noite cismo
Pra que os trilhos, se não passa o trem?
Os mortos sabem mais que os vivos
Sabem o gosto que a morte tem
Pra rir tem todos os motivos
Os seus segredos vão contar a quem?
Dias vão, dias vem, uns em vão, outros nem
Quem saberá a cura do meu coração senão eu?
Não creio em santos e poetas
Perguntei tanto e ninguém nunca respondeu
Melhor é dar razão a quem perdoa
Melhor é dar perdão a quem perdeu
Para ouvir clique aqui
<$Davi Maroto$> [12:23 AM]
O idiota ao redor. Caído no asfalto.
Pois é Zeca. Embora seja Baleiro, lamento não haver sobrado balas para mim.
Saudações, reflexões minhas. Há quanto tempo...
Acabou a poesia, embora ainda tenha. Só não tem o meu número. Pena.
Cores novas, canções também. Novas caras, novos trabalhos, novas frases. Só a dor continua a mesma.
Tem algumas coisas antigas aqui. De quando havia um pouco do que achei que achei que achei que tinha achado...
"Surtindo efeito raro
Dissipo-me em areias ampulhetadas
Bailando o ar sereno
Limpo
Leve
Em meio ao oceano azul e negro
A boiar suave
levado pela maré
O horizonte é vasto
e sorteia-nos com suas inúmeras
possibilidades
A vida é essa dádiva esquisita e complicada
Que mareia as manhãs de compaixão,
assereia e assevera ingratas provas e lições.
A vida é uma escola onde o que nos espera
é ao sinal da última aula." (D.M.)
UMA DECLARAÇÃO A MIM.
Minha vida é assim, desse jeito bagunçado.
Nunca soube bem o que fazer com ela.
Mas fui vivendo, vendo, indo.
Às vezes paro. Às vezes olho.
Muitas vezes me perco, mas sempre acabo me encontrando.
Sempre fui assim, compulsivo, desastrado, desajeitado com as palavras, com os medos, enfim.
Sei lá se ainda te assusto com meus demônios.
Sempre fui dúbio, mas normal. Embora esquisito e maldito.
Minhas ambições na vida são poucas e todas.
Quero amigos, amor e ser feliz.
E se possível, melhorar um pouco esse lugar que habitamos.
Quero você, que sou eu. E que ninguém melhor do que eu para sê-lo.
Selo aqui minha demonstração egocêntrica-narcisista, ou não, de meu amor a mim mesmo.
Amo a ti, também, próximo. Que se aproxima.
Que desce e sobe as esquinas da vida.
Amo o Amor, pois todos os caminhos levam a ROMA.
Não sei se vou para um céu ou inferno. Nem sei sequer se estes coabitam nosso pobre e materialista plano de realidade. Mas caso for, quero ir andando, passo a passo. A cada tropeço, a cada momento, instante. Entrega e desprezo.
A qualquer preço.
Despeço-me com um gosto do mais verde limão.
Saúdo-te com a mais deliciosa mordida numa suculenta maçã.
E beijo-te.
Com o gosto único e terno que só um beijo tem. (D.M)
"Seu jeito.
Seu jeito me admira.
Me ajusta à mira que me faz alvo, arqueiro e flecha.
Sua seta me conduz ao meu próprio interior. Onde sou estrangeiro.
Sua lucidez me embriaga de tanta beleza e anseios.
Certezas e receios.
Serena ênfase no terreno.
Seu amor me adoece e cura, me ilumina e empalidece, ocultando-se numa loucura que nunca ousei viver.
Coragem não é não ter medo. É ter o desejo maior que o medo.
E tenho o medo maior que meu peito, mas meus desejos cruzam os céus como aviões terroristas.
Quero viver isso sempre. Ou quando puder. Com ou sem você. Como senti sua falta em tantos momentos difíceis.
Alma minha. Como pude abandoná-la. Deixar suas migalhas e farrapos em tantos bares, salas, camas.
Corpo meu. Abraça-me nesse suave arranjo de trocado de notas que sobraram...
Esqueço-me que é uma máquina quase perfeita, mas tem de ser feita sua manutenção ao tempo do livre arbítrio. Ao tempo das ondas. Ao tempo do pulso, do coração.
Alma...
Coração, pulmão, mãos. Olhos, boca. Nariz. Te desejo com tudo isso.
Calma.
A vontade é de viver, não de correr.
Quem corre muito não aprende a voar.
Não aprende a viver.
Não aprende.
Não.
N.
."
(D.M.)
<$Davi Maroto$> [11:52 PM]
PLAY THE GAME
- Ê, Raimundo. Se deu bem, heim?
Tá aprendendo a jogar xadrez!!!
- É que o jogo da velha a gente já sabe no que vai dar. No jogo de damas, nóis come sempre as mesmas peça.
Jogo de dados, então. Só dá, da, da, da... E não ganha nunca.
Pelo menos nesse jogo, nóis tem os bispo pra fudê, os cavalo pra tergiversar, o rei pra pressioná, a rainha pra disarmá e as torres pra tangenciá.
- E os pião, Raimundo? I us pião?
- Os pião, truta. Às vezes ganha o jogo... Xeque.
- Mate?
- Com açúcar, please.
- Permita-me.
- O que fode é o jogo de dominó. Cai uma peça e todas se vão.
-Jogo de dominó pode ser um problema.
- Preciso parar de jogar dominó.
- E se o agudo virar circunflexo?
- Se virar circunflexo todo mundo vai julgar.
- Aí cai o véu. O véu é como papel.
- O papel é um "B.O.". Assume?
- Assumo.
- A partir de agora, você é réu, aceita o papel.?
- Hum... Aceito.
- Olha que tu vai pro beleléu.
- Nunca acreditei em Papai Noel.
- Bela analogia.
- Analógico ou digital?
- Digital.
- Digital. Viva a tecnologia globalizada. Me dê o dedo.
- Mas assim você me incrimina!!!
- Mas é esse o crime.
-Creme???
- Crime, Understand me?
- Yes, of course. Cream with cherry. Or better, an apple. Do you have banana?
- Yes, we have Banana. Banana prá dar e vender.
- Então dá banana pra todos.
- Então toma banana fela da puta.!!!!!!!!!!!!!!!!
Palco
letra e música: Gilberto Gil
Subo nesse palco
Minha alma cheira a talco
Como bumbum de bebê
De bebê
Minha aura clara
Só quem é clarividente pode ver
Pode ver
Trago a minha banda
Só quem sabe onde é Luanda
Saberá lhe dar valor
Dar valor
Vale quanto pesa
Pra quem preza o louco bumbum do tambor
Do tambor
Fogo eterno pra afugentar
O inferno pra outro lugar
Fogo eterno pra consumir
O inferno fora daqui
Venho para a festa
Sei que muitos têm na testa
O deus Sol como um sinal
Um sinal
Eu, como devoto
Trago um cesto de alegrias de quintal
De quintal
Há também um cântaro
Quem manda é a deusa Música
Pedindo pra deixar
Pra deixar
Derramar o bálsamo
Fazer o canto cântaro cantar
Lalaiá
Fogo eterno pra afugentar
O inferno pra outro lugar
Fogo eterno pra consumir
O inferno fora daqui
Para ouvir clique aqui
<$Davi Maroto$> [3:03 PM]
BALÉ INFANTE
Sou uma criança. Sempre fui e acho que será sempre assim. Mas minha meninice não é necessariamente imatura. É uma reação infante de descoberta, de aprendizado que jamais quero perder. Claro que existe um lado obscuro nesse comportamento, maldito. Como o medo, de sempre ser a primeira vez, mas ponderando todos os fatores, não é tão ruim assim. Diante dos fatos mundanos e da falta di, di, di, de hoje em dia...
Tenho notado que ultimamente tenho tido grande convalescença. Estabeleci metas. Não que isso seja de todo bom, mas já é um começo. Cheguei à conclusão de que tudo que preciso é amor e trabalho. Claro, outras coisas mais. Mas essa seria basicamente a necessidade a priori. Não o trabalho, duro ou não, assalariado, prestador de conta, batedor de relógio de ponto. Mas a necessidade da ação criadora e concreta que habita em nós. Tudo que fazemos, de fato é trabalho. Mas a busca da satisfação em realizar algo é a satisfação que estou falando. O mesmo do amor. Não simplesmente o gozo, que nos consome no momento, como uma paixão de cinco minutos. Mas o amor pleno. De mãe, de irmão, de amigo, pela vida, por nós mesmos. Pelos nossos sonhos. Pelo que nos faz não desistir. Pelo que alguns chamam Deus.
Mas nem tudo são flores. Percebemos também uma força oculta, que nos ata a erros patéticos, repetitivos. Força que nos leva a fazer o que não queremos fazer, que nos leva a lugares que não queremos ir, encontrar pessoas que não queremos encontrar, ser pessoas que não somos. Mas somos. E se há algo que temo pela minha vida, é esse eu que nem mesmo eu sei o que pode fazer. Nosso alter ego. E em razão desse amor pleno, devemos amá-lo e cultivá-lo, para que não se revele em proporções desiguais. Para amar o próximo, devemos amar a nós mesmos. Mesmo o que não gostamos. Pois somente assim poderemos aceitar as coisas inaceitáveis. Parece contraditório, mas as coisas são como são. Ou não.
Gostaria de ir ousadamente onde nenhum homem jamais pôs os pés. Mas acho que vou ficar aqui por enquanto. Com meus amigos, minhas paixões, meu trabalho. Meus sonhos e devaneios. Treinando para estar o melhor que poderia ser no grande dia. Superar meus medos e aflições, meu ciúme, minha sede de justiça que beira o abismo da vingança. Minha ansiedade. Toda minha gula e preguiça, pecados de cabiceira. Minha falta de eixo, meus rasantes em globos da morte, minhas roletas-russas. Minha ânsia de beber o mundo e vomitar a alma.
Mas amanhã vai ser outro dia. Seremos perfeitos no dia em que morrermos. Pois só assim voltaremos à nossa verdadeira natureza. Que somos bichos vivos, portanto.
Até lá, desajeitadamente tropeçarei pelos céus. Trocarei as pernas e tocarei esse balé infante que me foi dado no "script". Seguirei então com meu papel de bobo e tentarei levar alegria aos castelos, falarei mal do rei e chorarei depois do circo pegar fogo. O show tem que terminar um dia, baby. "The dream is over", "the dream is gone". Mas tem de continuar até lá. Quero estar com alguém, exercer meu ofício, dar e receber muita coisa boa, pra ter uma obra fruto da árvore da sabedoria de outras coisas além do bem e do mal.
Os dias passam. O tempo é escasso. A luta é dura. As pessoas se matam, se traem, se enganam. O remédio é amargo, o veneno também. Mas a vida é doce. E os olhos...
Os olhos ainda brilham, iluminando o céu escuro, sem estrelas. Não existe luz no fim do túnel. Não existe túnel. Existe um caótico rizoma que circula, circula e um dia, simplesmente acaba.
ESTRELADA
(Milton Nascimento/Marcio Borges)
És menina do astro sol
És rainha do mundo mar
Teu luzeiro me faz cantar
Terra, Terra és tão estrelada
O teu manto azul comanda
Respirar toda criação
E depois que a chuva molha
Arco-íris vem coroar
A floresta é teu vestido
E as nuvens, o teu colar
És tão linda, ó minha Terra
Consagrada em teu girar
Navegante das solidões
No espaço a nos levar
Nave mãe e o nosso lar
Terra, Terra és tão delicada
Os teus homens não tem juízo
Esqueceram tão grande amor
Ofereces os teus tesouros
Mas ninguém dá o teu valor
Terra, Terra eu sou teu filho
Como as plantas e os animais
Só ao teu chão eu me entrego
Com amor, firmo tua paz
<$Davi Maroto$> [9:46 AM]
Malditos Sejam os malditos. E que sua maledicência se perpetue. Ou não. Não a credito em destino, mas vim ao mundo para ser maldito...
Constatações:
Sou preconceituoso. Até com o preconceito.
Sempre pensei que devemos fazer as coisas quando temos vontade, tipo "se eu quiser eu bebo, e se eu quiser fumar eu fumo". Mas hoje bati de frente com um pensamento totalmente longínquo do que preguei até agora. Do tipo. Porque eu bebo e fumo? Muletas? Vícios? Companheiros de solidão? Razões sociais? Sei lá. Nem tinha pensado tanto sobre...
Sou munido de respostas rápidas, piadas de bolso, frases de rodapés dos grandes e medíocres filósofos e pensadores. Mas nunca havia pensado realmente tudo isso, como uma resposta sem mais "porquês". Ficamos condicionados a responder na lata as mesmas coisas. Por exemplo: Qual o seu nome?
Isto pode ser muito simples. Mas.
Um nome remete muito mais coisas que a palavra de registro. (vizi... to caído de sono... Acho que não vou encarar essa agora. Mas valeu a reflexão.
Hoje eu tava numas de me revelar... Estava entre amigos. Hoje eu fui feliz.
Ah!! Lembrei-me do palhaço. De como ele ri, diverte, mitifica, "magifica", ilumina. De como é importante numa sociedade. Hoje, também me servi da satisfação de ser útil.
Mas também não vou aprofundar no assunto.
Acho que nesses últimos 30 minutos em que dormi no buso, perdi as reflexões, a palhacice, a auto-crítica, as ilusões amorosas e comprometimentos de sucesso. Perdi a linha estética deste espaço, a poesia descomprometida de meus habituais textos.
Minha nossa!!! Como estou verborrágico!!! A parada é a seguinte: Hoje foi um dia maravilhoso. Em uma porrada de sentidos. Embora com fome e sono, me alimentei e me embebi de amigos, idéias, paixões. De teatro, de viagens e planos. E outras coisas mais.
Hoje, eu poderia ter falado de relações humanas, amistosas, amorosas, sociais. De humanidades, indecências e desejos. De dúvidas, insegurança, desilusão. Em suma. Poderia falar o "de sempre", embora com esse tom fonemado, ou blabládo, ou como quiser chamar. Mas sinceramente vou repousar-me que meu mal é sono. Já to achando uma bosta tudo isso que tá aqui, mas se apagar, quem vou me criticar no meu futuro?
Já chega. To beudo de sono. E. Pelo que me parece, vou ter o sono que há muito tempo não tenho.
Tô filiz... embora não tenho feito tudo que queria ter "fazido"...
Ainda bem quezzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz...
Roda Viva
Composição: Chico Buarque
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...
<$Davi Maroto$> [7:56 PM]
Desenferrujando
Ah!! De volta com um Pc. Anti-vírus instalado, noites insones. Tudo conspira pra volta do Dada. Mas pensando em tempos de mudanças, por que não... mudar. Mudar de nome de provedor, de discurso. Bom. Ao longo desse blog, notei que tudo muda constantemente, mas a conta da Globo.com não muda nunca. Bem, bem. Voltei a fazer teatro. Teórico e de rua. Continuo numa "pindaíba", solteiro, aleijado e louco. Mas sinto mudanças consistentes em minha personalidade e em minhas atitudes. Veremos como isso se diferencia nos textos e discursos. Mas chega de blá, blá, blá e vamos ao que interessa.
...Então, vamos ao que interessa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Mas... "O quê" que realmente interessa? Xi... Voltamos ao começo. Tô vendo que as coisas não mudaram tanto assim. Vou ter que recuperar a freguesia, digo... Os leitores. Tomar muita bica, fazer muita besteiras, "si fudê praca" pra soltar alguma emoção realmente verdadeira.
Ôpa. Isso foi verdadeiro!!?? Mas... "Santa Maria Maculada Batman!". Ou estou doidão, ou... Minha nossa!!!!
MINHA NOSSA, MESMO!!! Acabou o cafezinho e amanhã acordo cedão para ir em uma de minhas atividades prediletas. Embora seja muito cedo e nos fds... Bom, crianças. Por hoje é só. Uma conversinha breve sem muita poesia (rsss...) mas creio que terei muito mais coisas por aqui nesses dias, meses e por que não anos. Já que este diário tenha se tornado quase um anuário.
Ah!!! Se Nietzsche chorou um dia eu não sei, mas que esse som me tirou um bocado d'agua outro dia... Afinal. Não sou o super homem. Nem de Nietzsche, nem de Hollywood...
Esperamos um milagre todos os dias, sem perceber que o maior milagre é a vida.
O mundo é um moinho
(Cartola)
Ainda é cedo, amor
mal começaste a conhecer a vida
já anuncias a hora de partida
sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção, querida
embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco a tua vida
e em pouco tempo não serás mais o que és
preste atenção, o mundo é um moinho
vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
vai reduzir as ilusões a pó...
Ouça-me bem, amor
Preste atenção, querida
de cada amor tu herdarás só o cinismo
quando notares estás à beira do abismo
abismo que cavaste com teus pés
<$Davi Maroto$> [2:34 AM]
EM BREVE: UM NOVO BLOG. PARA EXPRESSAR, ENTÃO ISSO QUE NÃO MUDA NUNCA.

<$Davi Maroto$> [7:35 PM]
Desvairado
E então, novamente na ponta de um iceberg.
Como um pingüim que nunca adentrou na profundidade do mar. Com medo dos peixes, que nunca saíram d'água, e provavelmente nunca sairão.
Que coisa é essa que nos faz lembrar números de rg, cic, comprovante de residência, carteira de trabalho, fundo de garantia, números, cifras e palavras, e nos faz esquecer a cor das coisas, os cheiros, o gosto, as vontades do corpo e da alma. Como diria Lobão: "A cidade enlouquece sonhos tortos. Na verdade nada é o que parece ser. As pessoas enlouquecem calmamente e viciosamente sem prazer". Então nos dotamos de máscaras, para sermos bem apresentados.
São Paulo.
Ah, a cidade de São Paulo... Cidade grande, capital do trabalho, uma das grandes capitais do país e por que não do mundo? Cidade das artes, das noites, baladas. Cidade de gente ilustre, de garra, de luta. Às vezes esqueço que vivo em São Paulo. Tirando a São Paulo do trânsito, homens-máquina, do estresse e da garoa, existem muitas outras tantas belezas que existem nessa cidade. E que apesar de não ser a dona do jargão, não deixa de ser maravilhosa. Cidade de história, de muitos povos e lutas. De crescimento, descobertas. Tantas são as descobertas que descobrimos essa grande esfinge do homem a cada dia. A cada momento em que percebemos sua lição ou seu castigo. Vemos sua face nos olhos de cada paulistano, que apesar de cansados levam uma esperança e uma vontade de viver imensa. Nas bocas banguelas que xingam gritam pelos faróis ou quando batem no peito com força quando vêem um gol de seu time favorito.
Mas também se vê uma São Paulo que não se conhece, crianças de faróis que nunca foram a um museu, jovens meliantes que nunca assistiram a uma peça de teatro e potencial e talento de sobra, desperdiçados por falta de oportunidades. Começo a pensar que esta é a cidade do oportunismo e não mais das oportunidades.
Queria poder ir passar uma tarde no zoológico, ou no Ibirapuera. Talvez num outro parque. O da luz, do Carmo, O Villa-Lobos. Num Sesc. Quem sabe na USP ou no Butantã, que é aqui pertinho. Desisto, vai que chove. Melhor um lugar coberto. Num teatro. Faz tempo que não vou ao teatro. Mas tem tantas peças, qual será boa. Talvez essa. Mas está caro. Nossa se eu gastar tudo isso na peça nem tenho como pagar o ônibus. Já sei, vou ver essa que é de graça e ainda dá pra tomar alguma coisa. Melhor, vou chamar a Benedita, que não larga do meu pé, vamos de carro e ainda ganho um xameguinho. Mas se chover... Pôrra. A Benedita demora pacas e ainda iríamos ficar presos no trânsito. Museu nem pensar, tudo foda. Tudo caro. Se bem que tem vários de graça, mas eu não vi nenhum no comecial, nem fizeram matéria no jornal. Vai que eu não encontro ninguém. Passo mal de ver aquele povo metido à intelectual que fica te analisando e discutindo arte, sem nem saber me responder o que ela é exatamente ou que período ela se encontra. Moderno, pré-moderno, pós-moderno. Exatamente como um dos lados que contrastam com os que querem crescer, os chamados decadentes. Uma parte da população que vive de outros tempos, pouco trabalham, analisam e também criticam e xingam, mas estes com belas arcadas dentárias, que o fazem sorrindo.
Mas ainda tenho vontade de sair, mas para onde?
Poderia ir assistir a algum show. Deus do céu, mas será que todos eles cobram em dólar? Acho que é melhor mesmo eu ligar pra Maricotinha, e ver se ela quer sair comigo?
Ela sempre encara comigo uns rolês de buso pela cidade. Confesso que são os melhores, mas... Ah, não. Lembrei que ela tá namorando e ainda por cima nesse horário ela ta trampando. Que merda. Vou ler um livro, mas com o som do vizinho nem vai rolar.
Quer saber de uma coisa? Acho que estou ficando louco desvairado, paranóico. Mudei totalmente o que tinha em mente ao sentar e escrever alguma coisa, queria estar em outra cidade ou coragem e segurança para sair e andar nas ruas, ir nos lugares. Acho que o negócio em são Paulo é mesmo ficar em casa assistindo televisão. Eu vou ficar aqui pela minha vila, pelos bares de chegados, bebendo alguma coisa e jogando conversa fora.
Às vezes esqueço o que tem, até que vivo em São Paulo. Às vezes esqueço o tanto de coisas que conheci, visitei e aprendi. Às vezes esqueço tudo que tenho para conhecer, visitar e aprender. Às vezes esqueço quem sou. Nessas horas que eu sem sombra de dúvidas, me sinto um legítimo paulistano.
Acho que queria dizer alguma coisa, mas esqueci... Bom, vou nessa.
Mas como costumamos dizer na mais nova mania dos paulistanos, Vamos marcar de sair, fazer alguma coisa. Abraços.
<$Davi Maroto$> [2:19 AM]
MUDANDO DE IDÉIA...
Como diria o velho provérbio chinês: "Um homem jamais passa duas vezes num mesmo rio, pois quando passar novamente as águas do rio não serão as mesmas, e o homem também não será o mesmo."
O mundo está em constante mudança. Este blog é um exemplo disso. A princípio era algo que aspirava um dadaísmo, um contra tudo e todos. Hoje em dia, ora vejam... É a favor de tudo e todos. Com restrições e alguma ideologia, claro. Mas o fundamental é que cada segundo nesse mundo que coabitamos é único, singular e fantasticamente efêmero.
Mudança é preciso, é vital, natural. Mudamos de casa, de emprego, de escola, de cor, corte e penteado de cabelo. Mudamos de idéia, de preferência de gosto. Mudamos de canal, de roupa, mudamos tudo!!! Opa. Não. Não podemos mudar tudo. Ainda assim há coisas que nunca poderemos mudar. Mas coisas importantes, aliás coisas imprescindíveis também não podem ser mudadas, como nossos pais, irmãos. Dizem que o coração é um órgão vital que pode ser doado, mas ele nunca muda sua voz. Já mudei meu pensamento diversas vezes enquanto escrevia esses pensamentos e ainda não consegui dizer oque queria. Talvez não queira dizer nada.
...
Mudei de idéia. Quero dizer algo sim. Que quero mudar meus hábitos, minhas maneiras, minhas atitudes e meus costumes. Talvez isso escrito aqui não mude nada. Talvez alguém mude um pouco lendo isso. Mas eu mudei meu destino só de pensar nisso.
E também é pra isso que tenho esse espacinho na WEB.
Rá!!! Senti a coisa novamente. Agora só preciso de inspiração.
Está aberta a temporada de caça às musas, mitos e pequenos pretextos. E textos. À sentir na tez o vento que balança os cabelos e movem moinhos. Os moinhos dos sonhos, da poesia, e dos monstros que na aventura dessa vida se opõe o tempo todo. A nos afrontar, atormentar e confundir. Eia, Minotauro bruto que nasce de meu ventre. Aiô, cavalo alado que bate asas em meu peito. Iúpi, menino maroto que me toma as mãos. Ahhh, maldito eixo que procuro desgovernadamente em algum lugar entre o céu e a Terra e nunca encontro. Mas hei de mudar meu norte, minha mira, minha morte e seguir a luz até encontrar.
Presentearei então este momento com incenso, ouro e mirra, beberei vinho, comerei do pão e serei finalmente agradecido, contente, satisfeito e feliz.
Como Uma Onda
Composição: Nelson Motta
Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas como o maaaar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no muuundo
Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo
Agora
Há tanta vida lá fora, aqui dentro
Sempre como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas como o maaaar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no muuundo
Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo
Agora
Há tanta vida lá fora, aqui dentro
Sempre como uma onda no mar,
Como uma onda no mar:
Como uma onda no mar!
Como uma onda no m@r.
Como uma onda no mar?
Como uma onda no mar...
<$Davi Maroto$> [10:14 AM]
Estou tendo sérios problemas com meu pc, então estou temporáriamente, deixando este endereço sem atualização.
Temo que o ciclo do DADAVIMAROTO tenha chegado ao seu fim. Ou início. Espero que em pouco tempo possa estar manifestando-me por aqui ou em outro lugar. E ainda mais, depois desse tal de Yorgut, gasto meu tempo de internet nessa brincadeira saudosista. De qquer maneira os espaços Énóis.arromba vai estar ativo para tirar uma onda. Muito obrigado por gastar uns minutinhos da sua vida, dando a satisfação, pela sua graça nos meios de comunicação David's Network. Rsss. Abraço à todos.
<$Davi Maroto$> [10:52 PM]
Nature boy
No início, há o estranhamento. E é assim até o final. Estranho pensar assim, mas é. Nascemos e crescemos induzidos a não ser estranho. Rejeitamos, zombamos, fugimos, mas por essas e outras, nos tornamos ainda mais. Estranhos. Tudo é estranho. Comemos coisas estranhas, falamos coisas estranhas, e se tirarmos qualquer ser vivo de seu habitat natural, ou de criação, este vai estranhar. Quem sabe seja aí que está o "x" da questão. Quando deixamos de estranhar o mundo e todas as coisas que se estabelecem nele, estaremos estranhamente e confortavelmente mortos. Enquanto estamos estranhando, estamos vivos.
Estranho tudo nascer e morrer, e morrer a cada segundo. Estranho termos tanto medo do estranho, ou de parecer que parece, que perece, que prece...
E a pergunta ulula ao tema. Nos seria muito estranho um mundo perfeito?
O que é um mundo perfeito?
Qual o seu mundo perfeito?
O que é perfeito?
Bicho... Que papo estranho. Tô fora. E mudar meus estranhos hábitos, gírias e manias?
Talvez o mundo perfeito seja esse mesmo, cheio de gente estranha, coisas estranhas, cores, sons, gostos, cheiros, línguas, línguas... Estou já até me estranhando. Acho... muito doido esplorar um tema assim... bom... é isso. Permita-me que me apresente ao Mundoperfeito. Afinal minha mãe sempre me ensinou a não falar com estranhos. Ops, escapou... Tudo isso regado a um bom Nat King Cole, ou dependendo da versão, Caetano...
Nature Boy
(Eden Ahbez)
There was a boy
A very strange, enchanted boy
They say he wandered very far
Very far, over land and sea
A little shy and sad of eye
But very wise was he
And then one day,
One magic day he passed my way
While we spoke of many things
Fools and Kings
This he said to me
The greatest thing you'll ever learn
Is just to love and be loved in return.
<$Davi Maroto$> [10:55 PM]
Há dias que venho tentando escrever algo para redimir meus dias sem escrever.
Mas acho que ainda não vai ser agora.
Ando procurando coisas novas, revendo velhos valores, selecionando amizades.
Pessoas indo, vindo e eu. Continuo indo, correndo. Só não sei pra onde.
Onde estará o meu amor?
(Chico César)
Como esta noite findará
E o sol então rebrilhará
Estou pensando em você
Onde estará o meu amor?
Será que vela como eu?
Será que chama como eu?
Será que pergunta por mim?
Onde estará o meu amor?
Se a voz da noite responder
Onde estou eu, onde está você
Estamos cá dentro de nós
Sós...
Onde estará o meu amor?
Se a voz da noite silenciar
Raio de sol vai me levar
Raio de sol vai lhe trazer
Onde estará o meu amor?
<$Davi Maroto$> [10:06 PM]
Divagações de um flagelado
Nunca soube exatamente o que eu queria ser da vida. Quando criança pensava em ser jornalista, médico, músico, professor, arquiteto, cantor. Na adolescência queria ser ginecologista, psicanalista, gigolô, depois... Bem. Não sei se superei esta última fase, mas pensei em ser advogado, economista, fundador de uma igreja, politicóide, corretor.
Enfim, pensei em ser tudo, mas não consegui escolher exatamente uma profissão, carreira.
Foi quando resolvi em definitivo ser ator. Pois seria a única maneira de eu ser tantas figuras, personalidades dentro de uma só pessoa e em um único ofício. Deu que eu. Logo eu que vivia a sonhar com uma tal Terra do Nunca, jamais assumir responsabilidades, tinha que encarar esse oceano de transmutações e mundos tão detalhistas que é a arte de interpretar. E para isso teria que ter a minúcia de um cirurgião, a coragem de um toureiro, a precisão de um físico-químico-nuclear, e a cara de pau de um vendedor.
Para quem pensava ser um doidivanas preguiçoso foi um grande desafio. E ainda é.
Para quem pensa que ser ator é um mundo de glamour, dinheiro, e pouco trabalho muito se engana. É preciso estar afinado com o corpo, a mente e o espírito. Se o pianista toca, o dançarino dança, o cantor canta, os psicólogos e médicos estudam, estudam, o ator, agente do ato, deve ter todos estes requisitos sem pestanejar. É preciso amadurecer, crescer, desenvolver. E depois de todas essas atitudes e posições admitidas, ainda é preciso se reconhecer. Reconhecer quem sou, o que sou, o que quero. Onde estou, o que quero pra mim, pra nós, pro mundo. O que é bom, o que é ruim, o que é relativo. O que me satisfaz, o que me distrai. O que amo, o que desejo. Isso são coisas que as vezes sei, outras vezes não sei, e em outras me ponho a me questionar. Como agora, como sempre, como... Hum. Há muito tempo que não como. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as nossas ofensas. Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, não nos deixeis cair em tentação e livrai-nos do mal. Amén.
Quase Sem Querer
(Renato Russo)
Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso.
Só que agora é diferente:
Estou tão tranqüilo
E tão contente.
Quantas chances
desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada p'ra ninguém.
Me fiz em mil pedaços
P'ra você juntar
E queria sempre achar
Explicação p'ro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir p'ra si mesmo
É sempre a pior mentira.
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.
Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.
Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos.
Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?
Me disseram que você
estava chorando
E foi então que percebi
Como lhe quero tanto.
Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero o mesmo
que você
<$Davi Maroto$> [7:56 AM]